CRÔNICA-FÁBULA
A cobra, o rei e a nobreza despótica
Era uma vez um rei e alguns ministros de uma nova geração de depostas esclarecidos. Eles criaram a pão-de-ló um lindo filhotinho de cobra de uma espécie muito peçonhenta.
Enquanto era bem alimentada, ela crescia e era treinada para picar inimigos, que, além de ser inimigos do rei e da nobreza despótica, fossem corruptos e sobretudo de má-índole social.
A cobra foi crescendo, crescendo e aos poucos, graças ao adestramento, começou a picar todos os inimigos ( ou não-amigos) do rei e da nobreza despótica, desde que fossem de má-índole social e de corrupção comprovada.
Porém um dia, a cobra, começou a picar os amigos e a nobreza despótica do rei. Detalhe: ela só picava os amigos ou até membros da nobreza que tivessem péssima índole social ou aguçada suspeita de corrupção.
O rei, entupigaitado, esconjurou a serpente traidora até sua enésima geração. Tinha tratado a serpente a pão-de-ló e agora, o pago que ela dava era a traição!
__Até tu, brutas? Exclamou!
Então, o rei magoado, chamou seu staff e mandou estudar uma maneira de fazer um decreto que fosse delicadamente suave aos parâmetros da democracia do reino e que fizesse,
rigorosamente, a cobra mudar de hábito e jamais picar os amigos do rei e da nobreza despótica mesmo que esses tivessem péssima índole social...
MORAL DA HISTÓRIA:
Toda cobra adestrada e de boa ética não faz acepção de pessoas de má índole social. Não importa se amigo ou não do rei.
Por : Vald Ribeiro