Olhares

19/09/2008

CRÔNICA

John McCain, o Anticristo

 

Quatro e meia da madrugada. A esposa dormindo, ronco leve, a baba caindo no travesseiro. Josué sacoleja a esposa violentamente.

– Dilza, Dilza! Aconteceu  de novo, aconteceu de novo!   De Novo Dilza, de novo!

− huummmmmm  mmmm!

– Que é? Que é?   – grita, enquanto limpava com a mão a baba que ainda caia – è o que, rapaz, tu só pode está doido!

– De Novo  Dilza! De novo!  

– De novo. O quê?

–A profecia!  Deus falou comigo em um sonho... de novo!  John McCain é o anticristo

– Tu está doido, Josué! Tu está doido!

Era mais uma pedrada no frágil coração de Josué! Dilza era assim: insensível! Talvez nunca o tenha amado pois nunca o compreendia. Também não compreendia nem mesmos as suas profecias, sem dúvida uma revelação divina.

Às vezes, essas profecias vinham aos tufos. Muitas, com o passar do tempo, Josué percebera que se tornavam realidade.

 Foi mais ou menos no dia 09 de setembro de 2001, que  ele teve uma bombástica profecia. Em um sonho, ele viu duas enormes mulheres  gêmeas de uns quatrocentos metros de altura  solidamente em pé em uma enorme ilha. Um homem barbudo e de vestes cinza  deu um peteleco nas gêmeas  que caíram e se transformaram em uma medonha nuvem de fumaça , poeira e papel. Não soube ao certo o que seria aquilo até que no dia 11, teve a resposta: Quando ligou a TV por volta das 11 horas da manhã, lá estavam  as torres  gêmeas do Word Trade Center  desabando!

Na semana passada, sonhou com dois números 45 de mãos dadas subindo a rampa do Planalto.

Um  outro dia sonhou que Cuiabá   estava inundada de petróleo: Um homem foi  cavar uma fossa e zás! Um violento jorro de petróleo invadiu a cidade! Depois viu Cuiabá como o o maior produtor de petróleo do mundo!

Mas aquele sonho era perturbador. Ele viu claramente no sonho   John Mccain com um cetro na mão enquanto que com a outra mão, pegava umas lanças e atirava na região do Iraque. Cada lança destruía uma região iraquiana ( Josué não sabia se era o Iraque, mais a cada lança atirada, cada uma formava uma letra que, aos poucos, formou  a palavra Babilônia, atual  Iraque).  Dos escombros, foram erguidos prédios de 822 andares!  Um anjo puxou Josué pela mão  e, voando, o levou para mostrar a América do Sul e da região do Caribe.  Em  ambos sangue jorrava aos cântaros.

No oriente,  onde hoje é o Irã, via-se duas enormes esfinges, uma com a fisionomia de George W. Bush e outra com a de Martin Lutero. Depois o anjo apontando com o dedo para Mccaim,  que estava em uma sala toda decorada com couro de búfalo, gritou:

– Eis aí o filho de Caim, que descende da terceira geração vinda da Romênia que se levantará contra mim e destruirá a humanidade!

Josué levantou profundamente triste e preocupado!   Triste porque a esposa dava indícios que não o amava, preocupado porque  teria de encontrar um meio para espalhar a notícia pelo mundo e, principalmente  fazer chegar as informações aos Estados Unidos.

Sentou na cama. A mulher levantou amuada, abriu a gaveta do criado mudo, pegou um frasquinho , abre a boca e toma, direto,  vinte e cinco gotas de Rivotril.

 

Vald Ribeiro

 

 


Categoria: crônicas
Escrito por Vald Ribeiro às 13h24
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18/09/2008

 

O Outro Olhar de hoje vai contar a história de um neto de escravos: Gonçalo Viana, de 87 anos. Ele mora sozinho em Vitória da Conquista, no interior da Bahia, na mesma casa onde viviam os avós. Ele mostra que o fim da escravidão não foi suficiente para que pudesse ter uma vida melhor


Escrito por Vald Ribeiro às 09h36
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Sinais indicam se o sexo está nos planos dela ( abril )

É comum os homens reclamarem que não conseguem detectar quando uma mulher está com vontade de fazer sexo, especialmente...

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Curiosidades: Por que nós nos apaixonamos? Veja!

Muitos pesquisadores defendem que temos tendência a procurar parceiros do sexo oposto parecidos com nossos pais.

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Escrito por Vald Ribeiro às 09h33
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16/09/2008

CRÔNICA

QUEM INVESTE  EM EDUCAÇÃO NÃO  GANHA ELEIÇÃO

Folheava a revista Época, quando  deparou com a reportagem “prefeitos que investem em educação não conseguem ser reeleitos”.Era uma notícia bombástica e   importante num momento tão delicado da  disputa eleitoral.

O presidente do partido tinha que agir rápido: A proposta de governo tinha que está de acordo com o gosto popular. Se o povo não reelegia quem investia em educação, então a proposta de governo tinha que ser alterada com urgência.

Assim, mesmo antes de terminar de ler a matéria, o presidente do partido resolveu reunir todos os seus subordinados da cúpula partidária  para discutir tão alvissareiro assunto: “quem  trabalha com educação não ganha eleição”.

Para evitar possíveis vazamento de informação ( afinal,  há no país cinco milhões de telefones grampeados, quem sabe o telefone dele ou dos correligionários  estaria sob a tutela do “guardião”?), ele resolveu ir pessoalmente em casa em casa de seus correligionários maiores avisar da reunião que seria realizada dentro de meia  hora.

             Dito e feito: meia hora depois, o candidato a prefeito, o vice, os coordenadores da campanha estavam reunidos em uma chácara, o suficiente distante para que nenhum aparelho de escuta à distância captasse qualquer som de tão importante reunião.  

            — Então, companheiros, nossa reunião pode selar hoje o nosso destino para os próximos quatro anos. Há muito que venho falando que este negócio de investir pesado em educação é coisa de maricas. A prova está aqui: veja o que diz a revista: Educação não dá voto: setenta e quatro  por cento dos prefeitos de cidades pobres em que os prefeitos deram prioridade à educação não foram reeleitos. Temos que mudar nossa plataforma eleitoral se quisermos ganhar eleição do atual prefeito! Lembra que o bestão  do atual prefeito investiu muito em educação?

Muitos ficaram surpresos com a notícia.  Então investir em educação não gerava votos?

            — E  ainda diz – prosseguiu o presidente – abre aspas: dos vinte e cinco prefeitos que mais investiram em educação entre 2000 e 2004, apenas quatro conseguiram reeleger e fazer seu sucessor, fecha aspas!

            — Companheiro, investir na educação é pensar em nosso futuro, no futuro do nosso povo!—  disse um exaltado membro do partido, desses sempre à esquerda de qualquer agremiação política sempre metido a perfeccionista da sociedade.

            — O lance aqui não é pensar no futuro do povo não!  O lance aqui é pensar no nosso futuro político, veja o que ocorreu com O ex-ministro Alcenir Guerra, aquele que foi ministro da saúde. Esse cara acabou sendo prefeito de Pato brando Lá no Paraná. Investiu pesado na educação, criou escola integral, aula de inglês e balé para crianças a partir de 6 anos... sabe qual foi o pago da população? Não Reelegeram o Alcenir! E o que é pior: perdeu a eleição para seu pior inimigo político!

            —Pois bem, presidente, mas temos que pensar sim no  futuro  dos  nossos  jovens  — inquiriu o candidato a prefeito, porém, os nosso jovens...

            —Os nossos jovens, amigos — enfatizou   o presidente — não querem saber se somos os bonzinhos da educação não. Nem os pais deles. Vejam  aqui o que eles querem: dinheiro para encher o bolso, essa tal de transferência de rendas!  O Ibope fez uma pesquisa e a educação ficou em sexto lugar nas prioridades

            As discussões se acirraram, os ânimos se exaltaram  até que,   decorridos  quarenta e cinco  minutos após o começo da reunião,  decidiu-se,  por unanimidade, que um novo programa de governo deveria ser impresso sem o item referente à educação, cujo o  investimento  seria de 67 % do orçamento do município. Suprimiram-se também projetos como: escola integral, curso de balé  para crianças a partir dos 4 Anos, curso e reciclagem do professor, merenda escolar duas vezes por turno.

Incluíram na nova  proposta de governo, a sugestão de um sistema educacional convencionalmente óbvio para  quem se preocupa apenas em   apresentar  para a  opinião pública  estatísticas pomposas de índice de aprovação escolar: Se eleito fosse, o candidato do partido, deveria implantar na rede pública municipal  de educação o  sistema de ciclo cognitivo de aprendizagem  com aprovação automática  algo muito comum em várias prefeituras desse país preocupadas em maximizar  dados estatísticos ou porque essa metodologia é mais econômica e menos estressante para quem não quer investir em educação.

            Afinal, o importante são  estatísticas positivas e, principalmente, ganhar as eleições!

 

Vald Ribeiro


Categoria: crônicas
Escrito por Vald Ribeiro às 10h05
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